Descoberta promete longevidade maior ao gado de leite

Pesquisador aponta dieta excessiva de concentrados como a causa de doenças letais de ruminantes

Com a intenção de aumentar a produtividade do mercado de gado de corte, os produtores viram a necessidade de maximizar o consumo de dietas de alta fermentabilidade (concentrados) em substituição à forragem.

A maior consequência é o aumento da concentração de Ácidos Graxos Voláteis (AGV) no rúmen. Os ruminantes acabam perdendo a capacidade de absorção dos AGV, levando à acidose ruminal.

Dentre os AVG, o butirato é o mais perigoso, segundo pesquisa do zootecnista Marcos Pereira. “É ele que causa a acidose, promovendo a queda de pH no rúmen, além de ser responsável pela hiperqueratinização dos tecidos”, alerta Pereira. A hiperqueratinização leva ao crescimento excessivo e enfraquecimento dos cascos, levando também à morte do animal.

“É necessário atuar na dieta do animal para obter maior longevidade principalmente do gado leiteiro, já que o gado de corte é abatido logo depois da engorda”, observa Pereira. Assim, a manutenção do teor mínimo de forragem na dieta é importante para estimular a atividade de ruminação e mastigação.

Gotejamento garante produtividade de hortaliça no sul do País

Técnica de irrigação é utilizada em Blumenau (SC) em plantação de pepinos

Localizada no Vale do Itajaí (SC), maior região produtora de pepino para conserva do País, Blumenau (SC) chega ao fim de mais uma safra neste semestre. Apesar da seca ocorrida nos últimos meses no sul do Brasil, produtores esperam manter produtividade de 2008.

Segundo a assessoria de imprensa da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), “isto acontecerá, devido à técnica de irrigação por gotejamento, a qual garante a inofensividade das alterações climáticas, já que ela regula a necessidade de água da planta”.

A produção de pepino no Estado de Santa Catarina é feita através da agricultura familiar. Mesmo não utilizando tecnologia das grandes propriedades, os pequenos produtores garantem a colheita com a técnica desenvolvida.

A região do Vale do Itajaí é responsável por três mil hectares de plantação de pepino, nas variedades marinda e vlaspik. “Os quatro mil pequenos produtores lucram todo ano com a venda da hortaliça para grandes empresas de produtos em conserva”, diz o engenheiro agrônomo Euclides Schallenberger.

Como funciona?

No sistema de irrigação por gotejamento, a água é aplicada diretamente no solo próximo ao sistema radicular das plantas. Dentre as técnicas, é o que permite mais economia de água e energia, além de proporcionar maior produtividade.

Veja também:

- Site da Epagri: http://www.epagri.rct-sc.br/

Máquina limpa cana sem usar água

Desenvolvido por uma família de Cravinhos SP, equipamento faz a limpeza com sistema rotatório de impacto


Nos dias de hoje, quando a prática de atividades sustentáveis torna-se cada vez mais necessária para garantir a manutenção de recursos essenciais, como a água e a energia elétrica, a criação de novas tecnologias, capazes de se adaptar a essa realidade são de extrema importância para a preservação do meio ambiente e o bem estar da população.


Pensando nisso, uma família de Cravinhos (SP), região de Ribeirão Preto, desenvolve um equipamento que faz a limpeza da cana-de-açúcar sem o uso de água. O aparelho economiza energia e possibilita que a terra e a palha eliminadas no momento da limpeza sejam reaproveitadas.


Batizado de Rot-clean, o equipamento foi idealizado em 1977 por Milton Bignelli, químico industrial e ex-administrador de usinas. O problema da falta de água em uma das indústrias onde trabalhou fez com que Milton começasse a pensar em uma maneira de eliminar a água do processo de limpeza da cana. Com isso, criou o aparelho que limpa através de um processador rotatório de impacto.


Por falta de recursos, o projeto só foi colocado em prática em 1999, com a ajuda do filho Marcelo Bignelli e do irmão Pedro Bignelli. A família fez um protótipo e patenteou o equipamento. Há cinco meses eles trabalham na fabricação da primeira unidade, que deve ser colocada em teste ainda na safra deste ano. “No ano que vem a gente pretende começar as vendas do equipamento, que será fabricado de acordo com a necessidade de cada usina”, explica Marcelo.


Como funciona?


A limpeza é feita em um cilindro, com painéis vazados, que ao girar sobre uma base fixa, com hélices em forma de rosca para manter o fluxo do processo, deixa a terra em uma espécie de calha. Na superfície, existe uma parte rugosa que faz uma espécie de raspagem na cana, eliminando a palha e a sujeira aderida. Todo o processo leva de um minuto e meio a dois minutos para ser feito. “É um procedimento simples, sem trabalhar com água, mas que é benéfico porque em alguns locais a água está escassa, tornando a limpeza problemática”, afirma Marcelo Bignelli, um dos idealizadores do projeto.


A vantagem do equipamento é a economia de energia, necessária apenas para manter a rotação do cilindro. ”No sistema de lavagem você tem bombas e uma série de outros equipamentos que geram mais gastos com a eletricidade”, diz Marcelo. Além disso, a palha retirada no processo de limpeza pode ser utilizada para geração de energia, enquanto a terra pode ser devolvida na lavoura. “Essa terra é boa porque contém fertilizantes e adubo”, explica.


Outra vantagem é que pode ser evitada a perda de sacarose da cana. Quando a cana é lavada, após a queima, ocorre a perda de 2% de sacarose. Se lavada crua, o prejuízo pode ser ainda maior. Já com esse equipamento que não utiliza água, a sacarose fica integralmente na cana.

Técnica permite aproveitamento de espermatozóides de touros mortos

Material pode ser extraído até três dias após a morte do animal


Uma nova técnica desenvolvida por pesquisadores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em Planaltina, no Distrito Federal, permite a recuperação e armazenamento dos espermatozóides de touros mortos. Assim, torna-se possível manter a genética de animais valiosos que morrem por acidente nas propriedades.


Os primeiros resultados da pesquisa nasceram no final do ano passado. São dois bezerros gerados através do processo de inseminação artificial com o espermatozóide de bois abatidos em um frigorífico.


A pesquisa começou a ser realizada há três anos e consiste na recuperação dos espermatozóides do epidídimo – região onde se produz os espermatozóides. Para isso o testículo precisa ser retirado do animal morto e levado a um laboratório especializado no processo.


Segundo o pesquisador da Embrapa, Carlos Frederico Martins, responsável pelo projeto, a viabilidade do esperma depende do tempo que o animal morto permaneceu no ambiente e das características climáticas da região naquele momento. “A forma mais comum de obtenção de espermatozóides do epidídimo de animais mortos é por meio da retirada dos testículos e de seu resfriamento antes da extração dos espermatozóides", explica Martins.


Em média, o material pode ser captado até 24 horas após a morte do animal, caso o testículo seja mantido na temperatura ambiente, ou até três dias após a morte do animal, se o testículo for refrigerado a uma temperatura de 5º C.


Depois de extraído, o sêmen é avaliado e armazenado em galões com nitrogênio líquido a -196º C. Martins conta que o processo “é extremamente importante, pois prolonga a vida útil dos espermatozóides que permanecem em repouso e aumenta o número de animais que podem ser inseminados, uma vez que a amostra original é fracionada e facilita o intercâmbio de material genético”. Cerca de 30% dos espermatozóides podem ser recuperados através da técnica.


Com o sucesso da experiência, ele planeja agora utilizar a mesma técnica em mamíferos silvestres, como o lobo-guará, capivara, jaguatirica e gato-do-mato. “Dessa maneira poderíamos colaborar para preservar espécies que estão diminuindo em nossa fauna”, explica.


Para se beneficiar da técnica, o criador deve armazenar os testículos do touro e procurar laboratórios ou clínicas veterinárias especializadas no procedimento.


Veja também:


- Site oficial da Embrapa http://www.embrapa.br/

Sistema traduz sons emitidos por porcos

Desenvolvido por pesquisadores da Unicamp, programa visa garantir no mercado internacional o bem-estar do animal


Garantir o bem-estar animal é uma das exigências que começam a ser feitas pelo mercado internacional, que pensa, sobretudo, na qualidade da carne importada. De olho nesse cenário, pesquisadores da Unicamp (Universidade de Campinas) desenvolveram um software capaz de interpretar os sons emitidos por suínos e saber o que eles estão sentindo.

Com esses dados em mãos, os produtores podem classificar o nível de estresse dos animais e identificar eventuais problemas. “O Brasil é um grande exportador e o mercado está cada vez mais exigente. Por isso, nós pegamos algumas informações básicas que permitem evitar a subjetividade do auditor”, explica a coordenadora da pesquisa, Irenilza Naas.

O sistema funciona através da comparação do ruído emitido pelo animal com uma base de dados registrada em um programa. O som é captado por meio de um microfone instalado perto dos animais e é transformado em ondas sonoras. De acordo com a frequência e a potência do som, ele é classificado como um determinado sentimento, em um nível de 1 a 10. O programa permite identificar sensações como medo, fome, dor e frustração.

“No total nós temos um vocabulário com 50 palavras identificando os sentimentos em um nível de 1 a 10”, explica Irenilza.

Estresse

Pesquisas na área apontam que no processo produtivo da suinocultura, as diferentes etapas que vão do nascimento até o abate podem submeter os animais à forte estresse, afetando consideravelmente a qualidade da carne e os resultados econômicos da atividade. Entre os pontos críticos identificados estão o jejum, embarque, transporte (desenho do veículo, densidade animal, tempo de transporte), desembarque, área de espera (tempo na área de espera, manuseio dos animais) e atordoamento.

O produto está sendo patenteado e por enquanto, deve atender apenas ao mercado internacional. “Quando o mercado nacional estiver mais maduro, acredito que poderemos usá-lo por aqui”, diz Irenilza. Os pesquisadores devem continuar os estudos nos próximos meses, com a intenção de ampliar o sistema e identificar um determinado animal por sua resposta sonora e codificar o percentual de medo, ou fome, por exemplo, que o animal está sentindo.


Segundo ela, o sistema pode ser usado como parâmetro de certificação de órgão internacionais, que fiscalizam se a produção atende aos quesitos do bem-estar animal. Os pesquisadores aguardam apenas a concessão da patente para lançar o produto no mercado e a expectativa é que no futuro o sistema seja adaptado para uso em bovinos e aves.

Veja também:

- Site oficial da Unicamp: http://www.unicamp.br/unicamp/

- Currículo Lattes da coordenadora da pesquisa, Irenilza Naas: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4787294Z9