Desenvolvido por uma família de Cravinhos SP, equipamento faz a limpeza com sistema rotatório de impacto

Nos dias de hoje, quando a prática de atividades sustentáveis torna-se cada vez mais necessária para garantir a manutenção de recursos essenciais, como a água e a energia elétrica, a criação de novas tecnologias, capazes de se adaptar a essa realidade são de extrema importância para a preservação do meio ambiente e o bem estar da população.
Pensando nisso, uma família de Cravinhos (SP), região de Ribeirão Preto, desenvolve um equipamento que faz a limpeza da cana-de-açúcar sem o uso de água. O aparelho economiza energia e possibilita que a terra e a palha eliminadas no momento da limpeza sejam reaproveitadas.
Batizado de Rot-clean, o equipamento foi idealizado em 1977 por Milton Bignelli, químico industrial e ex-administrador de usinas. O problema da falta de água em uma das indústrias onde trabalhou fez com que Milton começasse a pensar em uma maneira de eliminar a água do processo de limpeza da cana. Com isso, criou o aparelho que limpa através de um processador rotatório de impacto.
Por falta de recursos, o projeto só foi colocado em prática em 1999, com a ajuda do filho Marcelo Bignelli e do irmão Pedro Bignelli. A família fez um protótipo e patenteou o equipamento. Há cinco meses eles trabalham na fabricação da primeira unidade, que deve ser colocada em teste ainda na safra deste ano. “No ano que vem a gente pretende começar as vendas do equipamento, que será fabricado de acordo com a necessidade de cada usina”, explica Marcelo.
Como funciona?
A limpeza é feita em um cilindro, com painéis vazados, que ao girar sobre uma base fixa, com hélices em forma de rosca para manter o fluxo do processo, deixa a terra em uma espécie de calha. Na superfície, existe uma parte rugosa que faz uma espécie de raspagem na cana, eliminando a palha e a sujeira aderida. Todo o processo leva de um minuto e meio a dois minutos para ser feito. “É um procedimento simples, sem trabalhar com água, mas que é benéfico porque em alguns locais a água está escassa, tornando a limpeza problemática”, afirma Marcelo Bignelli, um dos idealizadores do projeto.
A vantagem do equipamento é a economia de energia, necessária apenas para manter a rotação do cilindro. ”No sistema de lavagem você tem bombas e uma série de outros equipamentos que geram mais gastos com a eletricidade”, diz Marcelo. Além disso, a palha retirada no processo de limpeza pode ser utilizada para geração de energia, enquanto a terra pode ser devolvida na lavoura. “Essa terra é boa porque contém fertilizantes e adubo”, explica.
Outra vantagem é que pode ser evitada a perda de sacarose da cana. Quando a cana é lavada, após a queima, ocorre a perda de 2% de sacarose. Se lavada crua, o prejuízo pode ser ainda maior. Já com esse equipamento que não utiliza água, a sacarose fica integralmente na cana.