Desenvolvido por pesquisadores da Unicamp, programa visa garantir no mercado internacional o bem-estar do animal

Com esses dados em mãos, os produtores podem classificar o nível de estresse dos animais e identificar eventuais problemas. “O Brasil é um grande exportador e o mercado está cada vez mais exigente. Por isso, nós pegamos algumas informações básicas que permitem evitar a subjetividade do auditor”, explica a coordenadora da pesquisa, Irenilza Naas.
O sistema funciona através da comparação do ruído emitido pelo animal com uma base de dados registrada em um programa. O som é captado por meio de um microfone instalado perto dos animais e é transformado em ondas sonoras. De acordo com a frequência e a potência do som, ele é classificado como um determinado sentimento, em um nível de 1 a 10. O programa permite identificar sensações como medo, fome, dor e frustração.
“No total nós temos um vocabulário com 50 palavras identificando os sentimentos em um nível de 1 a 10”, explica Irenilza.
Estresse
Pesquisas na área apontam que no processo produtivo da suinocultura, as diferentes etapas que vão do nascimento até o abate podem submeter os animais à forte estresse, afetando consideravelmente a qualidade da carne e os resultados econômicos da atividade. Entre os pontos críticos identificados estão o jejum, embarque, transporte (desenho do veículo, densidade animal, tempo de transporte), desembarque, área de espera (tempo na área de espera, manuseio dos animais) e atordoamento.
O produto está sendo patenteado e por enquanto, deve atender apenas ao mercado internacional. “Quando o mercado nacional estiver mais maduro, acredito que poderemos usá-lo por aqui”, diz Irenilza. Os pesquisadores devem continuar os estudos nos próximos meses, com a intenção de ampliar o sistema e identificar um determinado animal por sua resposta sonora e codificar o percentual de medo, ou fome, por exemplo, que o animal está sentindo.
Segundo ela, o sistema pode ser usado como parâmetro de certificação de órgão internacionais, que fiscalizam se a produção atende aos quesitos do bem-estar animal. Os pesquisadores aguardam apenas a concessão da patente para lançar o produto no mercado e a expectativa é que no futuro o sistema seja adaptado para uso em bovinos e aves.
Veja também:
- Site oficial da Unicamp: http://www.unicamp.br/unicamp/
- Currículo Lattes da coordenadora da pesquisa, Irenilza Naas: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4787294Z9
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